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Goucha fala sobre afastamento de Quintino Aires: “Não sei se o teria cancelado do programa…”

Quintino Aires foi afastado da TVI depois dos comentários polémicos no Extra do Big Brother. Manuel Luis Goucha reagiu ao afastamento do comentador, em conversa com a NIT.

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“Eu conheço o Quintino Aires há muitos anos, não é? E o Quintino Aires sempre se pautou pela frontalidade das suas ideias. Eu acho que ele muitas vezes cai no exagero. O perigo das nossas opiniões torna-se maior quando procuramos generalizar. Não podemos generalizar. E penso que muitas vezes o Quintino é mal interpretado quando as suas afirmações nos levam à generalização.” começou por dizer.

“Eu penso que as afirmações dele terão sido a gota de água para uma série de casos anteriores. Eu sinceramente não sei se o teria cancelado do programa, mas não é a mim que me cabe esse tipo de decisões. Portanto, o perigo das afirmações do Quintino Aires é a generalização. Esse é sobretudo o maior perigo. Agora, numa democracia nós temos direito à liberdade de expressão, mas há um limite, ele exercitou a liberdade de expressão dele, a opinião dele e cabe também à estação que o recebe cancelar ou não a sua participação. Não me meto nisso.”, disse.

O apresentador foi ainda questionado sobre a comunidade LGBTQI+ e a importância da representatividade no Big Brother. Goucha refere que em alguns aspetos concorda com Quintino Aires.

“Eu acho que é um trabalho importante mas temos cada vez mais de trabalhar para que não seja um assunto. E aí tenho de concordar com o doutor Quintino Aires. O facto de eu ser homossexual não me faz nem mais nem menos do que qualquer outra pessoa. Estou integrado numa sociedade que é a sociedade portuguesa. Não sou, não quero ser nem nunca serei bandeira de coisíssima nenhuma. Eu não me guetizo. Sou contra os guetos. Nunca na minha vida me guetizei pelo facto de ter uma orientação sexual. A orientação sexual não me define e portanto eu não sou bandeira de uma comunidade, seja ela qual for. E aí concordo com o Quintino Aires: eu sou homossexual, integrado numa sociedade. E é para isso que temos de caminhar.” começou por dizer.

“Com certeza que a comunidade LGBTQI+ — mais não sei quantas letras a seguir, porque vão sempre acrescentando letras consoante a comunidade vai sendo enriquecida —, com certeza que tem feito um grande trabalho. Eu sei que não sou bem visto pela comunidade e estou-me absolutamente nas tintas. Não sei se o Cláudio é bem visto, mas eu não sou bem visto por alguns elementos da comunidade. Mas tenho a certeza de que com a minha postura, terei sido o primeiro apresentador a assumir uma relação homossexual em público, e de certeza que a minha postura diária, mesmo quando estou ao lado do Rui num programa de televisão, faz mais pela comunidade LGBT do que muitas pessoas da comunidade LGBT que têm posições de radicalismo. E eu não suporto radicalismo, seja em que comunidade for”.

”Eu sou Manuel Luís Goucha, cidadão deste país, integrado numa sociedade geral onde existem homossexuais, lésbicas, transexuais, heterossexuais, bissexuais, mas não é isto que define as pessoas. Compreendo a luta, agora eu não tenho que pertencer a uma comunidade. Eu tenho que pertencer a uma sociedade em geral inclusiva. E temo que muitas vezes o discurso radical das pessoas da comunidade LGBTQI+ não venha incluir, mas sim excluir as pessoas. Agora, tenho a certeza absoluta de que a minha prática diária que é de absoluta normalidade faz mais por essa comunidade do que muitos elementos com discursos radicais. Aliás, devo dizer, com discursos preconceituosos.”, acrescentou.

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