PUBLICIDADE

Francisco Rodrigues dos Santos chora morte do avô aos 100 anos: “O amor não morre”

Francisco Rodrigues dos Santos, presidente do CDS, está de luto. O líder do partido de direita recorreu ao Facebook para informar da morte do seu avô Zé, aos 100 anos.

PUBLICIDADE

Numa longa publicação, Francisco Rodrigues dos Santos declarou o seu amor ao familiar com bonitas palavras.

Leia aqui a publicação:

“O meu querido Avô Zé foi chamado por Deus no planalto dos seus 100 anos. Um Homem inspirador, que foi uma fonte inesgotável de bondade, de humildade e de boa disposição. Jodi Picoult, num dos seus livros, escreveu-nos que “não podemos existir neste mundo sem deixar rasto”. O rasto que o meu Avô Zé deixa são 100 anos sem mágoas, sem ódios, sem queixumes, sem mentiras, sem maus modos, sem irritações, sem maldade, e sem mácula. O Papa Francisco, na última exortação apostólica, intitulada “Alegrai-vos e exultai”, apresentou-nos a santidade não como algo distante de nós, mas como algo que pode estar à porta de nossa casa, naqueles que vivem connosco ou perto de nós e são um reflexo da presença de Deus.

Como neto e como católico, sinto que o meu Avô Zé foi um exemplo de Santidade.Pelo amor, sem estridências, mas tão honesto, com que cuidou da sua Mulher, do seu filho, da sua nora e dos seus netos .Pela forma esforçada e resistente como se entregou ao trabalho, a fim de trazer o pão para casa e fugir à pobreza do seu meio de nascença.Pela humildade como foi tudo em cada em coisa, rejeitando o fingimento e fazendo dos olhos o espelho da sua alma.Pela virtude do optimismo, que não conheceu medos nem dramatizações, e conservou a paz e a esperança à sua volta.Pelo altruísmo elevado ao infinito, que de tão radical que é, o aconselhou a nunca usufruir do que construiu e conquistou com o seu suor e muito trabalho. O que teve ofereceu, o que é seu esqueceu.

Pela gratidão genética, que reconheceu na vida uma dádiva e se alegrou com ela, contentando-se em vivê-la sem esperar receber nada em troca. Pela grandeza dos seus pequenos gestos, por ter preferido o amor dos actos ao das palavras, por ter exprimido os afectos através da verdade que colocou nas coisas. Pelo seu exemplo de autenticidade, apenas ao alcance de quem não usou capas nem disfarces, por ter sido espontaneamente ele próprio, como as suas vivências quiseram que ele fosse. De pequenino, apenas com a quarta classe, conheceu descalço as agruras do mundo rural. Trocou os livros pela enxada, a caneta pelas bicas, o escritório pelo pinhal, as festas pela mercearia, o lazer pelos fornos a lenha, os luxos pela família.

Casou por amor, do qual todos nós fomos testemunhas até ao último dia da minha querida Avó Zulmira, tendo sido um marido respeitador dessa união e fiel ao seu compromisso com ela. Teve um único filho, o seu maior companheiro, a quem deu o mesmo nome, e lhe ofereceu todas as ferramentas para cumprir o seu projecto de vida, permitindo-o destacar-se sempre pelas melhores razões. Depois ganhou uma nora, que lhe quer tanto bem como a um Pai. Mais tarde chegaram os três netos, que o amam e falam dele como um tesouro escondido na beira alta. O meu Avô Zé será sempre o talismã da Família, a nossa morada comum, o eixo da nossa roda, a nossa Páscoa, o nosso Natal, e a nossa terra. Ensinou-nos o que não vem nos livros, sem se ter apercebido do seu papel de professor. Uma das melhores lições que aprendemos com ele é que não prestamos para nada se só formos bons para nós próprios.

O meu Avô Zé, ao longo de um século foi um lavrador do bem e soube semeá-lo para dá-lo aos outros. Não guardo dele uma recordação negativa, uma injustiça, uma altura em que ele pudesse ter dito ou feito algo diferente. Nunca ouvi o meu Avô esboçar um pedido, a lamentar-se de um azar, a acusar uma dor, a pedir atenção ou a preocupar-se com o seu umbigo.

O meu Avô Zé sempre foi todo dos outros e nada de si próprio; viveu para servir e nunca para se servir; encarou a sua existência como uma missão focada em aliviar o fardo aos que lhe são queridos, em tornar o seu modo de vida melhor. O meu Avô Zé percebeu, desde muito cedo, que a felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso do que temos. Foi a representação perfeita do lado bom da vida, porque ao observarmos a transparência dos seus sentimentos, encontrámos as mais fascinantes qualidades do ser humano em estado puro, genuínas, espontâneas, sem terem sofrido a erosão do tempo e o desgaste das circunstâncias. Tenho a certeza que o meu Avô Zé foi feliz, porque foi talvez a única pessoa que conheci que sabia que não existe caminho para a felicidade, porque a felicidade é em si mesma um caminho – no caso dele, o único que percorreu, sem desvios, todos os dias.

O meu Avô Zé foi feliz, não pelo dinheiro que tinha nos bolsos, mas pelo propósito que deu à sua vida: por trabalhar, por ter o que dar aos seus quando precisaram, por usar a liberdade em função do bem. E até ao seu último dia continuou igual a si mesmo, ancorado em valores antigos e tão certos, com uma simplicidade que o fez actual e com um sorriso que desarmou qualquer aragem de modernidade.

Meu querido Avô Zé, a saudade é porventura a única dor que se agradece. A saudade que deixas educa-nos e guia-nos. Foste o melhor de todos nós e contigo no Céu nunca caminharemos sós.

O amor não morre. Obrigado por tudo o que foste, pelo que és e pelo que nos deste. Encontra em Deus, teu companheiro, a eternidade dos fiéis. E pede-Lhe que quando chegar a minha vez de ser Pai, que Ele permita que o meu filho seja como o bisavô!”

PUBLICIDADE
Sugestões para ti